Tornokrê: A Potência do Hardcore Underground Desde 1994

Com uma trajetória de três décadas, a banda mantém seu estilo autêntico e impactante, misturando influências com músicas rápidas e cheias de atitude e humor.

Hoje estamos com uma verdadeira lenda do Hardcore underground carioca! A banda Tornokrê, formada originalmente em 1994, traz na bagagem uma longa trajetória com muita atitude e potência sonora. Com influências que vão de Suicidal Tendencies e Body Count a Ratos de Porão e Slayer, o grupo mantém seu estilo autêntico e impactante. Na formação atual, temos Adriano e João Paulo, membros fundadores, e o novo baterista, Fábio. Com músicas rápidas e enérgicas, repletas de diversão e uma mensagem poderosa, eles conquistaram um lugar especial no cenário Hardcore.

Revista Subterrânea: Me fala sobre a banda?

Tornokrê: Vamos lá! Tornokrê, banda de Hardcore, formada em 94 por Gustavo (guitarra), Adriano (baixo e vocal), João Paulo (guitarra) e Flávio (bateria). Atualmente, a banda conta somente com Adriano (baixo e vocal) e João Paulo (guitarra) da formação original mais o novo baterista Fábio. Nossas principais influências são uma mistura, Suicidal Tendencies, Body Count, Ratos de Porão, Slayer e mais um monte de coisas. Nossas letras são críticas e ácidas com um leve toque de humor.

Revista Subterrânea: O que vocês acham do cenário underground? Se ela tem um espaço para crescer ou se ela funciona melhor a margens do mainstream?

Tornokrê: O underground, como o próprio nome sugere, não nasceu para o mainstream. O movimento cresce e evolui de maneira discreta e bem nichada, não almejando o topo nem a popularização, para não perder sua essência.

Revista Subterrânea: Que papel vocês acreditam que o público e as redes sociais desempenham para uma banda independente sobreviver no undergornd?

Tornokrê: As redes sociais surgiram como ferramenta essencial na divulgação e aproximação entre banda e público. Nós somos da década de 90, naquela época a divulgação era muito difícil, feita no boca a boca, com uma abrangência bem menor. Hoje, temos o mundo nas mãos, conseguimos alcançar muito mais público e conhecer outras bandas, que assim como nós, trilha esse caminho do rock autoral e independente.

Revista Subterrânea: Quais foram os sacrificos que vocês fizeram durante esse tempo todo? E as maiores conquistas que vocês tiveram que experimentar por estarem no cenário underground?

Tornokrê: As dificuldades são imensas. No início, não tínhamos bons equipamentos, íamos tocar na Baixada Fluminense de ônibus, cada um com seu instrumento na mão, tocando de graça, muitas vezes o público que nos assistia eram os membros da outra banda que iria tocar. Também tivemos muitos problemas com bateristas, já passaram uns cinco ou seis pela banda. O que consideramos como grande conquista é a longevidade, estamos há 30 anos na estrada mantendo nossa integridade e identidade, não nos moldamos a nenhuma onda/moda, fazemos nosso som e pronto.

Revista Subterrânea: Em relação as outras banda undergrounds, existe uma conexão em apoio entre vocês?

Tornokrê: Como havíamos dito anteriormente, no underground há um movimento de união e apoio mútuo entre as bandas, o que fortalece o cenário.

Revista Subterrânea: Na opinão da banda, quais são os elementos mais importantes para se manter fiel ao espirito underground?

Tornokrê: Em relação à sobrevivência no underground, a primeira coisa é que nunca pretendemos viver exclusivamente de música (o que nos levaria a, necessariamente, sair do underground), apenas queríamos fazer nosso som.

Revista Subterrânea: Como vocês lidam com as limitações dos orçamentos e os recursos comparados a banda de mainstream

Tornokrê: Quanto aos recursos, nós já passamos por muita coisa, tocamos em muito equipamento ruim, e o que temos hoje passa longe de ser o ideal, mas nos atende, nos permite tocar do jeito que gostamos.

Revista Subterrânea: Vocês acham que o underground tem um impacto único na cultura musical? E se ele influência na visão, o que é o Rock?

Tornokrê: O underground é um movimento cultural de alcance limitado, porém, muito expressivo e marcante na vida de quem o vivencia. Ele gera uma identidade que se sustenta a despeito das ondas e modas. Quem é underground, não segue tendências, não aceita o que o mainstream impõe.

Revista Subterrânea: Qual foi a maior dificuldade que vocês enfrentaram até agora nesses anos todos como banda indenpendente e como superaram essa barreira de 94 para cá?

Tornokrê: A maior dificuldade sempre foi relacionada à rotatividade de bateristas, que impunha alguns momentos de hiato nas atividades da banda. Mas nosso núcleo (Gustavo, João Paulo e Adriano), que possui uma amizade sólida e duradoura, sempre ajudou manter a chama acesa e a vontade de não parar.

Revista Subterrânea: E o que vocês dizem para quem quer começar uma banda independente hoje em dia? Quais os conselhos vocês dariam para sobreviver e prósperar no cenário underground?

Tornokrê: Bom, àqueles que estão iniciando, ou pretendem iniciar, uma banda autoral e underground, aconselhamos a ser o que são, não se importarem com tendências e modas, serem firmes em seu propósito, honestos no seu discurso e, principalmente, não esperar retorno financeiro!

Revista Subterrânea: Suas considerações finais dessa entrevista?

Tornokrê: Bem, queremos agradecer ao Grupo RBC pelo espaço. Para nós do underground, esse apoio é extremamente importante e essencial para a manutenção do movimento. Estamos aqui para o que precisarem, valeu!

Você pode ouvir o som da banda aqui na Rádio Edge Rocks e também no link abaixo:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/6FPDojz27udFjeTPGnt43o?si=7Bl99-P_Q6uuYAK0xq7wdw

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